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A Congregação dos Padres da Doutrina Cristã surgiu para dar continuidade à obra do Pe. César de Bus (1544-1607), homem guiado pelo Espírito Santo e comprometido com a causa de Jesus Cristo, que viveu no sul da França em um período da história marcado pela grande miséria e ignorância religiosa do povo.

        Antes de 1789, os Padres da Doutrina Cristã possuíam na França 64 casas, colégios ou seminários, 29 dos quais só na Província de Avignon. A Revolução Francesa marcou o fim da presença dos Padres Doutrinários na França. Depois de várias tentativas, foi preciso esperar o ano de 1966 para que eles tivessem uma presença mais estável no país.

        Dois padres, o padre Cláudio Bochot e o padre Eustáquio Félix, mártires em setembro de 1792, foram beatificados pelo papa Pio XI em 1926. Ao nome deles acrescenta-se o do padre José Raoulx, nascido em Graveson e Assistente Geral da Congregação, guilhotinado em Paris, em 1794, cujo processo de beatificação está em andamento.

        Dignos discípulos do Bem-aventurado César, os três Doutrinários, membros da mesma Comunidade em Paris, ofereceram suas vidas na fidelidade a Jesus Cristo, à Igreja e à Congregação, tornando-se “Catecismo vivo”.



Os Bem-aventurados
Cláudio Bochot e Eustáquio Félix


  Bem-aventurados Mártires Doutrinários
Cláudio Bochot e Eustáquio Félix
        Em 1676, a Casa Geral da Congregação foi transferida de São João, o Velho, em Avignon, para São Carlos Borromeu, em Paris. Daquela data até a Revolução Francesa, esta última Casa foi o centro da Congregação. Estourada a Revolução, o Superior, padre Bochot e o Ecônomo, padre Félix, conseguiram colocar a salvo a maior parte da Comunidade. Quando chegaram os revolucionários, todos os que não assinavam a “Constituição Civil do Clero” eram presos, deportados e mortos. Assim aconteceu aos nossos dois padres, que foram levados ao Seminário de São Firmino, na época transformado em cárcere.


Preparados para o massacre

        Conta o Abade de Salamon, testemunha ocular, miraculosamente livre da matança ocorrida na madrugada de dois de setembro: “Os outros prisioneiros que já se encontravam na Abadia foram avisados que, no Convento do Carmo, todos haviam sido trucidados. Diante de tal notícia, todos se jogaram aos pés do Pároco de San Jean au Gréve, pedindo-lhe com grande pesar a absolvição in articulo mortis.

         Aquele santo homem, após ter rezado um pouco em silêncio, nos exortou a recitar o Confiteor e a fazer um ato de fé, de contrição e de amor de Deus; depois, muito devotamente, deu-nos a absolvição. O Pároco nos disse: “Nós podemos considerar-nos como doentes em agonia, mas, reservando-nos a razão e o pleno conhecimento, não devemos omitir nada daquilo que possa merecer-nos a misericórdia de Deus. Eu recitarei as orações dos agonizantes; unam-se a mim, a fim de que Deus tenha piedade de nós”. Começa as Ladainhas, às quais respondemos todos com fervor.

         O tom com o qual aquele digno sacerdote pronunciou a primeira oração, que começa: “Parte, alma, desse mundo em nome de Deus Pai Onipotente...” nos comoveu; quase todos nós chorávamos. Tudo estava preparado para o terrível massacre; nós estávamos próximos da hora fatal. Levaram-nos o jantar; eram duas horas; ouve-se o estrondo do canhão de alarme...

         Um de nós, inquieto, agitado, vai a uma janela; ele avista os soldados no pátio do palácio e pergunta por qual motivo havia soado o canhão de alarme. “Verdun foi tomada pelos prussianos” – foi a resposta. Era mentira; Verdun não caiu, senão alguns dias depois. Todos sabem agora que o estrondo do canhão de alarme devia, naquele dia de sangue, ser o sinal do massacre. Os assassinos tinham a ordem para começar a matar ao terceiro tiro”.

  Massacres durante a Revolução Francesa
         O Decreto para sua Beatificação relata que eles foram mortos no interior da Casa, ou jogados pela janela na estrada, onde havia mulheres ferocíssimas que se precipitavam sobre os sacerdotes para espancá-los com bastões até sangrar; não contentes com isso, subiam sobre os carros, onde eram depositados os corpos, e os pisoteavam, cortavam-nos em pedaços e mostravam, com orgulho, os membros aos passantes gritando: “Viva a Nação”.


Pe. Cláudio Bochot

         Da vida desses dois Doutrinários se conhece bem pouco. O padre Cláudio Bochot nasce em Troyer, na Campanha, em 13 de julho de 1720, filho de Eustáquio e Elisabetta Léger. Entrou para o noviciado da mesma Casa de São Carlos em 10 de outubro de 1740, e emitiu a profissão em 16 de outubro de 1741. Em 1759 foi Reitor do Colégio de Noyer e depois passou para a Casa de São Carlos, da qual foi por diversas vezes eleito Reitor, sendo a última de 1789 a 1792.


Pe. Eustáquio Félix

         O padre Eustáquio nasceu também em Troyer, em 24 de abril de 1736. Entrou para o noviciado da Congregação em Paris, em 20 de maio de 1757. Depois de ter estado em diversas Comunidades, Vitry-le-François, Chaumont-em-Bassigny, retornou à Casa de São Carlos, com a função de Procurador, que conservou até o momento de sua prisão, em 1785. Participou dos Capítulos Provinciais de 1786 e 1791, última deliberação dos Padres Doutrinários de Paris.


Beatificação

         De ambos, os padres recordam a vida exemplar, toda dedicada ao exercício do sagrado ministério, em favor dos irmãos. Destacavam neles a humildade e a caridade: dois dons que formam os apóstolos e que lhes possibilitam levar ajuda espiritual e material a qualquer lugar onde houver necessidade.

         Os lugares onde ocorreram esses massacres se tornaram bem cedo meta de peregrinações, e muitas pessoas iam rezar em honra dos sacerdotes imolados. Os padres Cláudio e Eustáquio foram beatificados, junto a outros 189 mártires da Revolução Francesa, em 17 de outubro de 1926. Sua festa litúrgica acontece no dia 2 de setembro.


O servo de Deus José Raoulx

        Quando, em 1789, estourou a Revolução Francesa, o padre Raoulx se negou a assinar o juramento para a “Constituição Civil do Clero” e se escondeu por medo de ser morto, também ele, no massacre de setembro de 1792. Mudou de nome, dedicou-se ao comércio e evitou exercer o ministério à luz do dia. Entretanto, caiu em uma armadilha preparada pelo seu acusador e foi reconhecido: este dirige ao Servo de Deus uma pergunta em termos de blasfêmia contra a religião e Cristo Redentor, a que o padre José replicou animadamente, demonstrando ser padre. Foi preso no cárcere de São Lázaro, acusado de haver negado o juramento e de estar de posse de um livro “A devoção colocada de acordo com o juramento de igualdade”, que zombava dos padres que haviam feito tal juramento. No cárcere, conduziu a vida de uma Comunidade Religiosa com horário reservado para a oração, leitura e outros exercícios de piedade, e se dirigia aos seus companheiros falando da necessidade de preparar-se para a morte.

Execução na guilhotina durante a Revolução Francesa
        
Quando foi convocado diante do tribunal, agradeceu ao Céu porque lhe foi concedido morrer pelo seu Deus. Condenado à morte em 25 de julho de 1794, foi guilhotinado no mesmo dia. Pediu para ser o último a morrer, a fim de poder dar a absolvição aos companheiros; assim, na última hora da sua vida, pôde retomar as suas funções sacerdotais, exortando e encorajando os condenados. No mesmo grupo foi guilhotinado também o famoso poeta André Chenier, de 32 anos. Padre Raoulx nasceu em Graveson, entre Avignon e Tarascon, no dia 17 de agosto de 1737. Entrou para a Congregação dos Padres da Doutrina Cristã aos dezesseis anos e, em 1789, era Assistente Geral da Província de Avignon e gozava fama de ilustre pregador. Seu processo de Beatificação, junto a um numeroso grupo de outros religiosos, foi completado em Paris. Agora se encontra em Roma, na Congregação para a Causa dos Santos e se aguarda seu deferimento.




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