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A Congregação dos Padres da Doutrina Cristã surgiu para dar continuidade à obra do Pe. César de Bus (1544-1607), homem guiado pelo Espírito Santo e comprometido com a causa de Jesus Cristo, que viveu no sul da França em um período da história marcado pela grande miséria e ignorância religiosa do povo.

 Bem-aventurado César de Bus

Escolhido por Deus

        César de Bus, personagem marcante da segunda metade do século XVI, foi sem dúvida um homem especialmente escolhido por Deus. Ao ser solenemente proclamado Bem-aventurado pelo Papa Paulo VI no dia 27 de abril do Ano Santo de 1975, toda a Igreja passou a ter esse servidor de Deus como exemplo, guia e patrono dos catequistas.

        Sua história tem início no dia 03 de fevereiro de 1544, um domingo, quando, logo após ter nascido, foi batizado na Catedral de sua cidade, Cavaillon, no sul da França. Filho de Jean Baptiste e de Anne de Marc, era o sétimo de uma família com treze filhos. Cresceu em uma família cristã e praticante. Bem cedo aprendeu a conhecer e a amar a Deus e sua índole jovial e dócil deixava entrever uma propensão quase natural ao religioso.

        Apaixonado pela literatura, gostava de escrever peças teatrais e de encená-las com os amigos. Seduzido pelos encantos da corte de Paris, teve também seus períodos de crise religiosa. Mas apesar de tudo, nunca teve um comportamento maldoso.


Conversão e Missão

        A conversão de César foi marcada por um progressivo e amadurecido caminho que o levou de uma vida sem graça e mundana para uma vida de santidade e compromisso apostólico.

        O Ano Santo de 1575 foi o ápice desse caminho de conversão, que contou com a dedicação de pessoas simples, humildes e de grande fé: a analfabeta e dama de companhia de sua mãe, Antonieta Reveillarde e o sacristão da Catedral de Cavaillon, Luís Guyot.

        Após viver alguns anos em austera penitência, peregrinações, fervorosas orações, estudo e reflexões sobre a Palavra de Deus, César foi incentivado pelo seu diretor espiritual, Pe. Péquet, a retomar seus estudos e se encaminhou decididamente para a vida sacerdotal.

        Num domingo de agosto de 1581, César de Bus foi ordenado padre pelo bispo de Cavaillon e se consagrou principalmente ao anúncio da Palavra de Deus. Seu jeito de se expressar atraiu em pouco tempo toda a população, de modo que às vezes era obrigado a fazer sua pregação na praça. Usando um ensino simples, ele queria que cada vez mais pessoas pudessem se converter ao Deus que ama e perdoa. Além das pregações dominicais feitas na Catedral, por iniciativa própria, começou também a dar o catecismo às crianças.


  Eremitério de São Tiago
em Cavaillon - França
Retiro frutuoso

        Entre 1586 e 1588 César retirou-se para uma pequena capela, dedicada a São Tiago Apóstolo, localizada em cima da colina que margeia a cidade de Cavaillon. Ali ele se dedicou à oração e ao seu apostolado preferido, o anúncio e explicação da Palavra de Deus, percorrendo os sítios e vilarejos para ensinar a doutrina cristã (o catecismo).


        Aproveitando a paz deste heremitério, pôde se dedicar mais intensamente ao conhecimento e aprofundamento do “Catecismo Romano”. Este estudo marcou não só a sua ação catequística, como também a composição da sua obra de catequese iniciada nesse período, isto é, a “Instructions familières” (“Instruções familiares”).

        O compromisso catequético de César de Bus em favor das crianças e dos pobres, marcado por um seu novo método pedagógico, foi, aos poucos, atraindo e sendo partilhado por admiradores tanto padres, quanto leigos. Foi-se amadurecendo, então, a idéia de dar vida a uma Congregação de padres e leigos, reunidos em vida comum, que trabalhassem em unidade de método e de espírito.

        E assim aconteceu que no dia 29 de setembro de 1592, festa de São Miguel Arcanjo, em Isle-sur-Sorgue, cidadezinha a uns 10 Km de Cavaillon, César de Bus reuniu alguns padres e com eles deu início à Congregação dos Padres da Doutrina Cristã. Nascia uma Família Religiosa que pretendia unir a perfeição de vida ao exercício de ensinar a doutrina cristã e a todos os outros árduos trabalhos necessários para a salvação do próximo.


Duas vezes Páscoa

        A partir de 1594, César vivenciou a experiência da cegueira. Apesar da perda crescente da visão, que muito o limitou, ele não cessou suas atividades: rezava com os que se aproximavam dele, fazia suas obrigações, continuou a pregar e a acolher os pecadores no confessionário.

        Ao final de sua longa doença, César falava com freqüência da sua “Páscoa”, isto é, da sua morte que se aproximava. Ele tinha previsto o dia: “Coragem! Eis que está chegando a Páscoa: é o dia da grande passagem. É preciso partir com alegria... Está sendo preparada para mim uma grande festa, pois hoje é a vigília e amanha é Páscoa. Para mim será duas vezes Páscoa, isto é, a passagem do Senhor e a minha para junto dele”.

        No alvorecer da manhã de Páscoa, 15 de abril de 1607, terminou sua missão na terra para entrar no Reino à espera da Ressurreição.



Novidade atual

        A atraente e eficaz novidade que César de Bus vivia como catequista e pastor, era o seu compromisso de falar, sempre, de modo simples e familiar, usando abundantemente a Palavra de Deus, além de conceitos e situações concretas para exemplificá-las. O que ele mais queria através de sua catequese era ensinar a ser bom cristão, não só intelectualmente, mas através da conversão e do seguimento convicto de Jesus Cristo.

        Sendo ainda hoje atual na sua pedagogia, e também modelo e protetor dos catequistas, o Bem-aventurado César de Bus permanece pelos séculos uma testemunha, um precursor e um profeta.




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